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França, América, cigarros e algo mais

sábado, 21 de novembro de 2009
Auto retrato em momento abstrato

Autoretrato em momento abstrato

Paris, para mim, é a capital que mais fuma no mundo ocidental.
Mas, no metrô, cartaz com menção a fumo é proibido.
O cachimbo fumado por Monsieur Hulot (de Jacques Tati) foi substituído por um cata-vento.
O poster do filme “Coco antes de Chanel” foi retirado porque a protagonista segurava um cigarro.
Agora é a vez de “Gainsbourg, vie héroïque”. E olha que o cantor só aparece soltando fumaça vermelha pela boca.

Talvez Paris seja apenas a mais bela das capitais hipócritas do mundo ocidental.

Por aqui, uma coisa tem me deixado incomodada.
Buzinas. No trânsito, fazer barulho parece fazer parte das regras de etiqueta.
E outra coisa intrigante: poetas-pop mortos estão em alta.
Queen, Andy… Morreu? Tá vivo!

Eu fui ver (engraçado ver as mesmas obras em três museus diferentes, em três países distintos) uma exposição de Andy Warhol. Como tenho síndrome do coelho de Alice, perco alguns detalhes. E isso tem vantagens: a desculpa de sempre descobrir algo novo – mesmo vendo as mesmas coisas. Pois bem, além da fixação pelo prateado e (a declarada) por grana, Andy tinha boas sacadas – muito além dos quinze minutos de fama.
Uma é ideal para este espaço:

Fantasy love is much better than reality love. Never doing it is very exciting. The most exciting attractions are between two opposites that never meet.”

Num encontro que já começa a ficar tradicional (esta é minha quarta reunião) com aposentados da indústria cinematográfica local – na também tradicional pizzaria Güerrín (fundada em 1932), conversas de anos passados. Da “generosidade” e da “alegria” do Brasil. Da “empáfia” americana. Cervejas para uns, vinho para outros, e excesso de Genebra para os que estão dando passos largos. Comi meus dois pedaços, mas desta vez não fui até o Café Ouro Preto. Tradição em excesso.

CSC_0081Um bom lugar, com jazz, chás, calma e bolinhos. Magendie.
Uma merceraria perdida na Honduras. Quero passar algumas horas por lá. Ainda mais agora, com essa chuva quente na minha janela.

Na casa de luminárias (sim, nós “alumiamos” a leitura com acrílico transparente que imita linhas clássicas com muito humor), um argentino que morou em Minas, Rio, São Paulo e Fortaleza. Preferiu Fortaleza. Hoje fornece material para hotéis.
Por que assim é a vida.
Os pés aqui com a cabeça voando.
E um punhado de dinheiro para nos enforcar.

Mas esse post não tem álcool, não tem melancolia.
Ele está caminhando por aí.
Ele vê a vida dos outros.
E não atende telefone de manhã.

Eu queria fazer um poster com cara de classificados.

“Procura-se.
Não precisa tomar banho nem pagar contas.
Experiência em bipolaridade comprovada.
Falar línguas estrangeiras e escrever sem consultar dicionários será considerado um diferencial.
Comer pouco.
Ouvir muito.
Beber apenas o suficiente.
Não é necessária fidelidade.
Momentos sombrios, guarde-os para si. Ou publique o que for pior.
Recompensa-se bem”

DSC_0001

Sem pente. Em momento Thai.