Posts com a Tag ‘Vitória’

Sobre a(s) derrota (s)

sábado, 4 de agosto de 2012

Pow

Aqui nos trópicos a moçada enche a cara de bolinha, é punida, volta para casa e não sabe o porquê.
Atleta campeã de tudo não passa da primeira fase e coloca a culpa no vento.
Nadador de ponta perde e diz que a gritaria da torcida teve a ver com a história…

Ganhar, ganhar, ganhar.
Somos tão pequenos assim?
O resolvemos virar adeptos da filosofia do Tio Sam?

Sou mesmo fã das disputas, das batalhas, da pegada de quimono.

Gosto do gosto de sangue na boca.
Da unha quebrada.
Do salto todo marcado de calçada portuguesa.
(perdoem-me os puritanos)
Mas a transa inesperada… é melhor.

Gosto de me endividar e sofrer com o prazer enorme de algumas horas em detrimento da tormenta de anos com um boleto que vence no dia 10 do mês.
Gosto de ficar feliz por ter que viajar a trabalho.
De subir na balança e ver o ponteiro subindo. Fazer o quê?
De ficar bêbada com qualquer coisa que cheire a álcool.
De gastar uma fortuna na manicure (que cobra 40 reais).

Ah…
Os lindos de olhos azuis e a medalha de ouro que me perdoem.
Mas eu gosto mesmo é de pé rapado que me leva para copo sujo.
Vira-lata.
Rasteira.
Que fala palavrão.

Eu perco muito. Repetidas vezes.
Fazer o quê?

Linha do tempo

sábado, 13 de março de 2010
Ponta da Fruta

Ponta da Fruta

Eu tenho certeza de que fui no Sílvio e minha porta da esperança tinha alguém esperando por mim… Só pode ser.
Acho que descobri um trabalho que é bem do meu número – mais louco que eu.
O dindim está chegando de tudo – do que estava parado, do inesperado, dos jobs…
E é tão legal não ter um menos na conta.
Tenho conhecido muita gente fofa.
Tudo está rodando como um reloginho.

Sem querer dar uma de “ó céus, ó azar”, uma coisa tem me preocupado. As distâncias.

Hoje por motivo alheios a minha vontade, entrei num avião com destino a Vitória.
Crematório de Ponta da Fruta.
Eu queria combinar que ninguém mais pode morrer este ano. Nenhum pai, nenhum cartunista, nenhum tio, nenhuma criança, ninguém.
O fato é que tive uma tia-avó que foi dona de vastas terras em Ponta da Fruta. E até os doze anos, passei parte das férias lá.
Era um deserto com praia delicioso.
Conta a lenda que uma prima chegou de noite pela primeira vez e às 5h da matina acordou a todos:
“-Mãe, vamos logo, já ligaram o mar!”
Ponta da Fruta (eu sempre imaginei um bicho de goiaba batizando a vila) hoje estava particularmente linda.
Cheguei 14h30, parti 19h.
E cá estou em Sampa.
Ontem, Rio.
Semana que vem, Rio de novo.
Na outra, mais viagens. Na outra, mais e mais.

Acho muito legal poder viajar e chegar em mundos diferentes em “um” minuto.
Mas fico pensando que esse negócio mexe com a gente.
Não é possível que o corpo viaje no espaço e a gente não mude por dentro.
Que bicho a gente vira no final?

Enquanto penso madrugada adentro, comida indiana, cerveja Gold.
Eu, 3 gatos, uma cachorra e vários pernilongos paulistas do Tietê.

Fico pensando no que acontece quando a gente perde o fio condutor.
Quando se desorganiza e não acha mais chão.
Será que tem volta?
E por que a gente quer tanto fio a nos segurar se a gravidade já basta?