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Raiz forte

segunda-feira, 23 de julho de 2012

o mesmo sorriso, a mesma cara dura, a fé inabalável

Ontem, deitada no piso, ouvindo canções de forma aleatória, fui ferida por um Milton.
E levei um caminhão de minério de ferro no peito.
Quase sem conseguir respirar, vieram pores de sol amarelos e não avermelhados.
Um brilho de chão duro e muito gasto.
Meus cabelos longos, meu macacão.
Minhas blusas pretas coladas ao corpo.
Minhas andanças de bota do exército e mini-saia.
Minha(meu) Afonso Pena.
Bahia.
Minha montanha sem fim.

De repente, percebi tudo o que já não é.
“Galpão” em tarde chuvosa.
Sexta corrida e sem luxo em acampamentos e fotos e banho terrivelmente gelado em algum rio que hoje virou terra.
Sonhos pequenininhos.
Uma festa.
Uns causos.
Um olhar para dentro tão profundo e medroso que parecia gás paralizante.

Hoje com um sotaque misturado, um cabelo curto para contrariar, um pouco mais de peito, a blusa solta…
Seria São Paulo, a idade? Cidade?
Mas como se ainda creio em tudo o que não fiz?

E eis que hoje recebo de surpresa um texto bobo sobre as mineiras, sexo versus sacanagem e algo com doce de leite.

Ah… Pobre de quem não nos conhece.
Feliz de quem tem medo.

A matilha ladra ou liberdade de expressão de butique

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Mario versus Maria?

Depois do Nobel de Llosa, o assunto nos meios digitais foi a demissão de Maria Rita Kehl do Estadão.
Engraçado essas histórias se entrelaçarem no mesmo dia…

*o*o*o*o*

Llosa é um profissional da escrita que sempre se mostrou ativo no terreno político.
Em sua juventude, foi um defensor do marxismo.
Cedo, ele se desencantou com o regime cubano e passou a denunciá-lo.
Nos anos 90, lançou-se candidato à presidência do Peru com uma plataforma que defendia um agressivo plano de privatizações e o mercado livre neoliberal.
Foi derrotado (de virada) pelo atual presidiário Alberto Fujimori.
Desgostoso, o escritor se mandou para a Europa.
Mais recentemente, Vargas Llosa passou a bater em Lula e em Chávez.
Em 2009, ele recusou um convite para participar do programa televisivo “Alô presidente” pois Chávez não topou fazer um debate direto com ele.

*o*o*o*o*

A despeito (ou por causa também de?) da gritaria dos jornalistas, Maria Rita Kehl ganhou um bilhetinho azul do Estadão.
Doutora em psicanálise, ensaísta e poeta, Maria Rita Kehl escreve na imprensa desde 1974.
Ela não é marinheira nova e conhece as regras do jogo.
No sábado passado, o Estadão publicou uma crônica em que ela elogia a atitude do jornal que havia anunciado seu apoio à Serra e desce a ripa nos que criticam o governo assistencialista de Lula e que menosprezam as massas que se beneficiam dessa política.
Falar de corda em casa de enforcado…
Para mim, ela arriscou as fichas e perdeu o jogo.

*o*o*o*o*

Eu sempre achei engraçada uma opinião corrente que defende a imprensa como o único bastião da democracia.
Ué? Jornal não é empresa privada?
Toda empresa privada defende interesses particulares, os de seus proprietários.
De instrumento de debate e pluralismo ideológico e político até meados do século XIX, a imprensa foi assumindo o papel de porta-voz dos interesses monopolistas dominantes.
Para Gramsci, os maiores veículos de comunicação assumiram “o lugar de intelectuais orgânicos da burguesia, no quadro da luta de classes, encarregando-se de assegurar a hegemonia ideológica desejada pelos patrões.”

Se o Estadão defendeu publicamente a candidatura do Serra, não é por altruísmo, é por estratégia política, comercial, etc.
E aí que não faz o menor sentido manter uma colunista que vai contra seus próprios interesses.

*o*o*o*o*

Pelo que acompanhei, tudo começou com o jornalista da Folha, o Xico Sá, fazendo pressão, via twitter: ele anunciou o desconforto do Estadão com o texto da colunista.
Ele “gritou” em um meio particular, não falou em nome da Folha de São Paulo, sua empregadora.
Em seguida, outros gritaram também.
Que absurdo, onde está a liberdade de opinião e todas essas bobagens chamadas de corporativismo (defesa exclusiva dos próprios interesses profissionais por parte de uma categoria funcional).
Ora, tudo muito válido.

*o*o*o*o*

Pero…
Se você quer tirar os urubus da Bienal, recomendo que faça-o pelos meios legais.
Porque se você tentar tirar os bichos de lá será preso por crime ambiental.
E se pixar a obra ou o edifício da Bienal, também responderá a processo por vandalismo.

*o*o*o*o*

Quer falar mal do padeiro?
Não recomendo que o faça na padaria.
E, se decidir fazê-lo, prepare-se para comer pão duro.

Censura haveria se o jornal não tivesse publicado a tal crônica.
Censura do jornal – uma decisão privada que não é fora da lei.
O jornal escolheu publicar.
E, ao acompanhar a gritaria –  em especial a dos jornalistas -, o Estadão decidiu demitir a colunista.
Fica aqui uma questão: seria a turma da gritaria cúmplice desta demissão?
Afinal,  o caso e a crônica foram usados para bater no jornal.
E o jornal, bateu em quem fez a crônica.
Efeito colateral?

*o*o*o*o*

E o que diz a Lei de Imprensa?

CAPÍTULO I DA LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO E DA INFORMAÇÃO

Art. 1o É livre a manifestação do pensamento e a procura, o recebimento e a difusão de informações ou idéias, por qualquer meio, e sem dependência de censura, respondendo cada um, nos termos da lei, pelos abusos que cometer.

§ 1o Não será tolerada a propaganda de guerra, de processos de subversão da ordem política e social ou de preconceitos de raça ou classe.

Art. 4o Caberá exclusivamente a brasileiros natos a responsabilidade e a orientação intelectual e administrativa dos serviços de notícias, reportagens, comentários, debates e entrevistas, transmitidos pelas empresas de radiodifusão.


CAPÍTULO III DOS ABUSOS NO EXERCÍCIO DA LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO E INFORMAÇÃO

Art. 16. Publicar ou divulgar notícias falsas ou fatos verdadeiros truncados ou deturpados que provoquem:

I – perturbação da ordem pública ou alarma social;

II – desconfiança no sistema bancário ou abalo de crédito de instituição financeira ou de qualquer empresa, pessoa física ou jurídica;

III – prejuízo ao crédito da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município;

IV – sensível perturbação na cotação das mercadorias e dos títulos imobiliários no mercado financeiro.

*o*o*o*o*

Para não ir longe, o jornal tem que publicar a verdade e não pode se beneficiar disso para criar caos ou colocar em risco o sistema.
A orientação intelectual, diz a lei, fica por conta da diretoria do meio.
O escritor Vargas Llosa preside desde 2008 a Fundación Internacional para la Libertad, ligada ao Instituto Cato, um think tank liberal americano. Foi o meio que ele encontrou para questionar alguns meios de imprensa corruptos e para defender jornalistas que ousam criticar os regimes de alguns países e colocam as próprias vidas em risco.
Enfim, não preciso repetir que Maria Rita Kehl fez uma aposta ao usar o Estadão para expor sua opinião política.
Aposta tola – digna de  receber um pão dormido.

*o*o*o*o*

Estamos há anos-luz do momento de formação do Estado nacional burguês, quando a imprensa funcionava como um motor propulsor do debate democrático.
O debate foi substituído pelo controle.
E o desenvolvimento da televisão foi decisivo para o processo de controle e propaganda porque acabou com as fronteiras entre os gêneros (notícia, entretenimento e publicidade) e promoveu uma “confusão” total entre eles.
As notícias passaram a ser apresentadas como show, já os programas de entretenimento simulam debates sobre a “vida real”…

Tem gente que se acha esclarecida porque “viu na novela”.

Se você quer gritar para ser ouvido com direito a continuar gritando quando bem entender, faça como tantos: use o que lhe resta.
Twitter, Facebook, blogs.
E tenha em mente que, a partir do momento em que você passar a receber dinheiro por isso, sua opinião antes ousada e radical pode ter que ser “desidradata”
Como você vai lidar com isso é que vai determinar o fim da história.

Se você vai ser um prêmio Nobel ou candidato à presidência…
Se simplesmente vai ser um cara com um público disposto a ir mais longe…
…ou se vai ficar com fama de aloprada que quis se fazer de mártir enquanto atacava quem pagava seu salário.

A pergunta que não quer calar é: Xico Sá, você agora vai arrumar emprego para a Maria Rita Kehl?
É o mínimo, não?

Abobrinhas

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Em campo

O mundo volta a seu rumo depois que o Santos de Neymar foi derrotado.
Futebol, um mistério quando se fala em brasileiros.
Ontem foi dia da plebe (eu incluída) crucificar o jovem e arrogante jogador que tantas fez que levou à demissão do técnico.
Para mim, o mais engraçado e deprimente foi ler o colunista Xico Sá dizendo-se rebelde e radical por defender o bad boy.
Não dá para levar a sério um cara que vangloria-se de ser feio e entender de mulheres.

O céu caiu

Depois que pedras gigantes de gelo destruíram um bairro em Guarulhos, na Grande São Paulo, a primavera chegou.
O tempo anda tão louco.
Engraçado é dizermos que temos primavera.
Não temos.

Boa ação

O bad boy do Facebook fez uma doação de U$100,000.00
O que um filme sobre o rapaz não causa em sua vã consciência?

Horário político

Gabeira encanta militares
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/09/23/precisamos-ficar-atentos-isso-326802.asp

Febre

Eu dancei muito em 1984, 7 anos depois da estréia do filme.
E olha que o filme não era pra o meu bico…
Nada como ter mães de amigas que se amarravam em caipirinha!
Nos anos 80, meu objeto de desejo era um piso iluminado.
Como um jogo Genius gigante.