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Maior o que está em mim

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Delícia voltar às origens e ver seu passado te tragando feito areia movediça e cuspindo os ossinhos com um cabelo de Debbie Harry.
O rock voltou.
A bike rolou.
A força está me deixando com braços de menino.
A loucura está rondando a praça.
A gentileza acontece.
A paranóia do escritório sumiu.
A faca e a bota foram para o armário.
Amor para todos os lados.
Na rua, na net, ao telefone, em tudo.
E só não dá tempo de trabalhar.

Trabalho enobrece?
Trabalho é andar dez casinhas para trás, no meu caso.
O tal julgamento de Brodsky.

Trabalho?
Tô ralando, minha nega.
Yoga.
Meditação.
Nos intervalos, faço algum dindim.

E estou considerando seriamente me teletransportar para o Japão.
Era uma vez uma Ana.
Durante anos Ana foi feliz.
Mas ela descobriu que, de ponta cabeça, seria ainda mais do que quis.

Segunda-feira, pode me arrancar cada pedaço de carne.
As unhas vermelhas.
O pêlo.
Me arranha inteira.

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Carne, osso e yoga

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

sem photoshop

Há mais ou menos 7 anos comecei a fazer yoga.
Três motivos:
1 – Estava (e ainda está) na moda;
2 – Minha mãe praticava e ficou gatona;
3 – Havia um estúdio distante 3 quarteirões da minha casa.
Ou seja: funciona, é cult e dava para ir a pé.

Comecei com aquele jeito crítico que me é habitual, encarando os colegas como um bando de hippies de boutique, cheios de guéri-guéris yogísticos (tapetinho colorido, roupichas, prendedores de cabelo)… Ah! Todo mundo rico e planejando passar uma temporada na Índia!
Eu resolvi botar para quebrar.
Vou mostrar para essa mauriçada o que é uma hiperdistensão aguda!

Eu, que tenho um alongamento fora do comum, fui logo querendo a medalha de ouro.
Mas a yoga me deu um ippon.

A aula era de Astanga Yoga de Mysore.
Esse é um estilo de yoga que apresenta uma série de posturas / asanas que você vai, aos poucos, fazendo sozinho.
O seu “mestre” vai te mostrar que além da postura, você tem que trabalhar um número certo de Vinyasas, uma combinação de respiração e bandhas para fortalecer a energia (prana) e fluir com sincronia de asana para asana.
Não entendeu nada?
Vamos em frente.

Postura B

Um dia, minha professora me ajudou a fazer Marichyasana, quatro posturas de torção.
(Não fique achando que eu sei tudo não porque estou colando do meu livro).
Você tem que controlar a respiração.
O corpo fica quente.
Aos poucos, a coluna se alonga.
A mão segura o pé.
É chato porque a barriga pula para fora.
Não dá para disfarçar.
Dói. Incomoda.
Você cruza as mãos nas costas.
E quando está todo enrolado, torcido, dolorido, tem que ficar um tempo ali.

Simplesmente não dá para pensar na briga em casa.
Na conta do cartão de crédito.
Nas sacanagem da firma…
É respirar, concentrar, tentar.
E ganir por dentro.

Pavoa misteriosa que sou, fui com tudo.
Torci até onde conseguia.
Fingi que achava minha pança cool e joguei as banhas para o lado.
Respirei. Meu corpo virou uma caldeira.
Respirei.
Terminei… E meu intestino disse “olá”.
Sorte que o banheiro estava a poucos passos – passos que percorri para bater o recorde de 100m rasos.

Pode rir – foi engraçado mesmo.
E contrangedor…
Não menos do que a má alimentação que me deu uma bela pança; do que o amor que morreu porque não foi cultivado, a conta que é paga com o trabalho, trabalho aquele que não resolve tudo.

A minha cabeça dura não me deixou aprender que a yoga não é uma ginástica.
É uma forma oriental de tentar nos fazer conectar corpo e mente. Espírito. Você com você.

Todos temos limitações.
Entender que um dia é diferente do outro é difícil.
Seu corpo sabe.
Sua cabeça engana, finge esquecer.

Ontem eu fiz minha primeira aula de yoga depois de cinco anos diletante.
Cinco anos intensos, os mais vividos dos meus 35.

Esse 2010 tem sido danado de profundo para mim.
Da perda do meu pai em dezembro e tudo o que isso significa a dois dias do ano começar, à troca de emprego, passando por uma volta ao mundo, mais um pedido de demissão, uma terapia intensiva em Paris e uma nova volta ao mundo (ao meu mundo), fui largando pedaços, perdendo e ganhando histórias, jogando pérolas aos porcos, batendo e tomando – não nessa ordem.

Diletante.
Você sabe o que é?
Entre outros significados, diz-se daquele que mantém uma atitude imatura, de amador, em relação a normas de ordem intelectual ou espiritual.

houve num inverno um café chamado Borges

2010 veio com tudo.
Veio duro.
Veio para abrir caminhos no facão.
Já que não aprendi com a yoga…

E hoje numa entrevista de pré-emprego (não me faça pergunta difícil), a conversa desviou de caminho, saiu da pauta e eu comecei a ouvir o que eu estava falando e não mais aquele mantra me contrata.
Um balanço.
De quando eu resolvi tomar as rédeas e o cavalo desembestou.
Porque eu não sei tudo e a vida pode, sim, ser imprevisível.
Mesmo que você siga direitinho a série, respire no tempo certo, agradeça. Shanti.

Peguei o carro, voltei para casa, tomei um banho.
Li um recado esperado – daqueles que colocam os pingos nos is e tchau.
Chorei baixinho.

Eu queria só saber se um mestre de yoga fala palavrão de vez em quando.

Raiz

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Eita que segunda-feira é dia de desatar nós.
Choveu logo cedo.
E o mundo acordou de mansinho.

Concentrar no que é urgente.
O tempo voa, mas o mistério é saber que tudo (ainda) é.

Procuro alguém que queira me reensinar ashtanga.
A tarefa é para ser desenrolada sem pressa.
Começa com a mão que não encosta no pé.
E avança quando sua cabeça perde o controle.

Mexendo em meus arquivos, uma série de autoretratos.
E uma frase.

The foot feels the foot when it feels the ground.
Buddha


E aí brotou do nada, como que para provar que certas coisas não vão embora:

Vande gurunam charanaravinde sandarshita svatma sukhava bodhe
Nih shreyase jangalikayamane samsara halahala mohasantyai
Abahu purusharakam sankhachakrasi dharinam
Sahasra shirsam svetam pranamami patanjalim

Dizem que a força está nos cabelos

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

antes

Não me venha com esse papo de narizeu.
Tenho certeza de que a frase é da Xuxa ou do PC Farias.
O fato é que fui ao salão dar um trato no pé calejado de tanta caminhada e aproveitei para virar outra pessoa.
O corte não é novo: já experimentei a graça dez anos atrás.
A cor das madeixas igual a do Sílvio Santos é que deu o toque alucinado.
Como pode um marrom ficar meio acaju, meio estranho?
Enquanto a cor não muda (sim, amigos do sexo masculino, a tinta muda de cor aos poucos), vou criando uma nova personalidade para esse cabelo sem a força de Sansão…

(Observação importante: como é da minha natureza, eu fiz um teste antes com uma peruca que usei certa vez em Nova York. E, no dia seguinte, ao encontrar com os mesmos amigos, todo mundo perguntou se eu tinha uma peruca para cada ocasião. Risos)

depois
depois

Em se falando em mudanças, comecei a minha semana com a meta mais difícil de todas.
Criar uma rotina.
Logo cedo fui correr com a cachorra.
Eu e ela estamos duas POLPETAS!
Ela ficou mais cansada.
Vamos combinar: Alice pesa 12 quilos. Se for comparar, eu corri 6km, ela, pelo menos uns 30 – proporcionalmente.
Depois, fui contar para meu endocrinologista que andei pecando e passando mal.
Cada um tem o conselheiro que escolhe.

Em casa, saladas inovadoras.
A de hoje estava exótica. Hortelã com cogumelos de Paris, nabos e folhas + mostarda de Dijon. Uma coisa “verão desempregado em Sampa” – interessante, mas o sabor passa rápido (e o verão também! Já o desemprego… Aceito ajuda!)

hoje, depois de duas festas e uma corrida maluca no Ibirapuera

Logo mais, yoga.
Aquela coisa de Sampa que eu adoro.
Minha professora deixou o professor.
Foi para a Espanha ser feliz e ter filhotes com outro professor.
Eu fiquei órfã, mudei 3 vezes de cidade (Belo Horizonte – Curitiba – Rio – São Paulo), tentei, mas larguei meu nível faixa roxa de yoga – daqueles que colocam o pé atras da orelha e levanta o corpo com os braços…
Andando com Alice pela pracinha, encontrei um colega que (obviamente não me reconheceu – com tantas arrobas a mais e cabelo de menos) e ele me indicou para um cara.
Liguei para o cara e vou hoje ver qual é a da yoga.
Com toda a força dos cabelos curtos, volto para o básico “menos um”, um nível muito mais difícil do que qualquer outro que já desbravei. Um nível em que encostar a mão no pé dói e faz chorar…

E o trabalho?
Ah, plantei umas sementes aí.
Se nascer, aviso.

Bom começo de semana para você que tem como pagar as contas!

ohmmmmmm

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

4 dias num ashram.

Yoga, meditação, comida natural, caminhadas, papos com monges que não podem ser tocados. Estou parecendo a rena do nariz vermelho (resultado de um creme protetor vagabundo). Estou com os músculos vivos.

Saí mais confusa do que entrei, caí na vida mundana (celular deu tilt, encomenda de computador vai atrasar, não fizeram meu depósito para a viagem, tomei um litro de açaí – enfim…) e estou aqui, fazendo exercício mental para manter o equilíbrio. Carnaval… só em 2011.

Cai o mundo lá fora com a chuva, aqui dentro um calor infernal, e eu correndo para Guarulhos. Até – pelo menos – segunda que vem estarei sem computador. O blog vai ficar meio de pé quebrado.

Não me abandonem. Esse desapego eu não sei praticar.

Abaixo, algumas fotos “roubadas” do ashram.

Um dia de cada vez

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Foto criada em 2009-10-13 às 07.56 #2

Depois de acelerar nos últimos dias (em todos os campos) e passar essa noite quase sem dormir (2h e só), achei um espaço no quarto, e relembrei (como?) dos meus exercícios de yoga…

Pranayama. “Prana” é respiração ou energia vital do corpo. “Ayama” significa controle. Naturalmente fui seguindo o fluxo da minha esquecida ashtanga vinyasa.

Os asanas foram surgindo não sei de onde e eu fui sentindo aqueles pontos que andam bem tensos, os que andam esquecidos. Estalos. O corpo duro; em alguns momentos, fraco.
Cheguei ao Supta Kurmasana (deitado, você cruza as pernas atrás do pescoço e levanta o corpo com os braços – as pernas entrelaçadas atrás da orelha)… Fiz as posições finais. Não me lembrei do mantra de agradecimento, só do ritmo da música.
Estou pingando feito um rio. O corpo super relaxado.

Tanta coisa em tão pouco tempo. Fiquei confusa. Precisava respirar e não tentar entender.

Samadhi (redenção, libertação de perigo, salvação da alma, segurança) – é um super estado de felicidade, alegria e fusão da consciência individual com a consciência universal. União entre Jivatman e Paramatman. União de Shiva e Shakti em Sahasrar Chakra (parte superior da cabeça). Percebendo a Bramhan (consciência pura).

Poucos chegam lá.
Preciso voltar a fazer yoga.
E dar um tempo em muitas coisas.
Começo “tudo” de NOVO hoje.
Mas nada NOVO.