A conta

Ele saiu com seu velho casaco.
O prazer em sentir o vento que corta tudo o que tenta enfrentá-lo.
Pelas ruas, procurava os poucos minutos de luz do sol.
Louco, chutava o ar, como que mandando o calor embora.
Era o frio de faca que buscava.
Num café que estava na moda, pediu algo frio.
A garçonete sugeriu sorvete.
Ele topou.
Ao lado, um grupo de mulheres cacarejava.
Como grãos de milho, ciscavam histórias de colegas de trabalho, Caras e outras conversas de salão.
Ele segurava o copo de sorvete entre as mãos como que para fazer baixar a temperatura.
As pontas dos dedos ficavam cada vez mais vermelhas enquanto o sorvete derretia.
Pediu a conta.
Pagou.
E saiu correndo a derrubar cadeiras, mesas, empurrar quem atravessasse seu caminho.

O casaco ficou para trás.

5 respostas para “A conta”

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