Abraço Partido

Lost in Translation? Lost & found? All alone in translation?

Quase um ano sem voltar à casa.
No aeroporto, irritada com os meus.
O sotaque, o jeito – tudo incomodando.
A velha mania besta de fazer fila horas antes de abrir o check in.

Véio. Beleza? Nóoooo…
Você saber que meu amor por você é a única coisa que não para no engarrafamento.
Minha rainha.

E o gelo vai quebrando.
Está tudo diferente ou fui eu?
Passarinho que muito voa perde a raiz?

Ao chegar, mágica.
Um carcará acompanhou o pouso.
Pensei logo que a ave escolheu a presa.

Uma hora e a mala… A esteira rodava vazia.
Perdi o ônibus que vai para a cidade.
45 minutos de espera.
Peguei um taxi.

Almoço com uma velha receita minha que há 15 anos esqueci anotada numa gaveta.
Hospital. Proibido visitas acompanhadas de crianças.
Lembro-me do meu pai combinando uma história comigo.
Enrolou meu bracinho e falou: finge que está quebrado.
Uma vez dentro do hospital, meu coração disparado, fugimos para ver meu irmão que acabara de nascer.

No corredor do quinto andar, lembranças.
A amiga que não resistiu.
A safena do pai.
Avó.
Pneumonia besta.
Passarinho quando cai do ninho, quer colo.

Um dia intenso.
Um lembrar de quem sou.
Um esquecer de quem se esqueceu de quem sou eu.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *