Flashes do carnaval

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Foi assim que tudo terminou… Os blocos do Rio se reproduziram enlouquecidamente.
Acertar a hora, o lugar, o melhor, tudo ficou mais complicado.
Os melhores – que antes saiam de noite – agora saem 9h da manhã.
E haja saúde, disposição, sol na cara para enfrentar a maratona.
Imagine a cena: 8h da manhã. Você tomando aquele café da manhã reforçado, com maçã, banana, iogurte, granola. Aí, momento maquiagem completa. Com cílios postiços – bien sur! E fantasia. 9h horas da manhã, Cosme Velho, você tentando pegar um táxi. E vai para a Praça XV, reduto de prostitutas e shows – em dias normais – para esperar o Cordão do Boitatá.
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O bloco dá a volta olímpica de 2 quarteirões. A cerveja já rola solta. O calor, infernal. Crianças e carrinhos de bebê são jogados para os lados. Uma equipe da prefeitura que trabalhava num duto de água é simplesmente pisoteada pelos foliões. Bêbados, loucos, carnavalescos, eu e mais milhares estávamos lá. Você canta, você cansa, você é empurrado pela multidão, você não acha mais tanta graça. Você ganha fôlego, arruma o tutu e vai para frente da bateria – lugar mais estratégico para não ser “comido” pelos selvagens de fantasia.
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A melhor fantasia – para mim – foi a de Michael Phelps: calção, touca, óculos e um baseadão na mão. Um gaiato foi apenas com uma plaquinha com os dizeres: “Cielo também fuma!”. As fantasias de Paula Oliveira e de Amy Winehouse foram as mais sem graça – imaginação zero. Um moço foi de temaki – tava ótimo! E os arquinhos com molinhas e urubus do Flamengo, bolinhas, corações, galhos coloridos – esses foram o maior hit. Junto com as velhinhas orelhinhas da Minnie. E o povo colorido de azul, fantasiado de smurfs, o povo colorido de mangueira – para isso tem que ter coragem. Nesse calor…
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Mas o fato é que o Rio virou um grande banheiro público.
Não havia banheiro químico para essa multidão, não havia policiamento, não havia estrutura. E a graça dos blocos ficou mais uma vez apagada pelo excesso…
Enfim. O melhor do carnaval foi o sol – que brilhou forte e deu praia todos os dias… O Bibi – com seu açaí imbatível.
Os restaurantes – que não estavam lotados. A não ser que vc seja mané e tenha feito fila no Sushi Leblon.
E a alegria do folião carioca – de todas as idades. Que saiu feliz e fantasiado até para comprar um pão na padaria.
O metrô, colorido.
Os confetes de papel.
E a cerveja sempre gelada.
E o tempo que eu precisava para pensar na vida.
E me jogar em outra aventura profissional. E dar as costas – mais uma vez – para o mainstream.
Afinal, diz o macaco, quem fica parado é poste.

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Abaixo, alguns flashes do carnaval.
Cielo, dizem, também fuma…

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Alice visitou a rua homônima e posou como um totem…

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Depois, fez novos amigos… E se deram bem, acredita?

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Família vende tudo

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Essas placas são moda em São Paulo.
Imitando os americanos, as famílias que estão mudando botam as quinquilharias na garagem (daí o garage sale) para fazer algum dimdim e se livrar de coisas que não usam mais.
Curioso é que isso começou do avesso.
Vendedores de antiguidade usavam como técnica de venda/marketing: alugavam por um fim de semana casas que estão à venda e levavam seus produtos para lá. Davam um falso ar de família que vende tudo.

Mas o que me encanta nessas placas é a possiblilidade de largar as quinquilharias para trás.
De recomeçar com algum no bolso.
De mandar embora os bodes que se escondem atrás da porta, na gaveta, na caixa de sapato.

Ana vende tudo.
Vendo meus diplomas, meu inglês e meu espanhol – e são fluentes! Vendo meus ex-namorados.
Vendo um ex-chefe insuportável, um ex-colega de trabalho problemático, vendo quilos que estão sobrando, vendo um carro com as prestações por pagar.
Vendo um trabalho que fica muito longe de casa.
Um trabalho que não me dá prazer.
Vendo um domingo. Troco um sábado.
Vendo tudo o que não me serve mais.
E que pode servir para alguém;
Sai mais barato do que uma experiência nova. E pode ser tão boa ou melhor.

Pensei que iria dominar meu espírito cigano.
Mas, com sua saia de mil babados, com seus brincos, anéis, correntes, pulseiras, ele está me incomodando.
Não basta uma viagem de trabalho, não basta Peru, Chile, Argentina, amanhã Bogotá.
Ele quer levar a casa.
Os gatos. O cachorro.
Topa uma venda de garagem.
E quer mudar tudo de novo..
Lisboa, Nova York, Cidade do Cabo, talvez Samoa.
Do Brasil não falou nada.
Anda pensando no Mediterrâneo.

Domingo de chuva.
O pensamento voa.

Era de aquário, tiróide lenta e assuntos recorrentes

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[audio:03-ive-got-you-under-my-skin.mp3] I´ve got you under my skin

Em sábados cinza e frios, tenho saudades das décadas que não vivi.
Uns sons meio jazzy, uma coisa mais devagar, esfumaçada.
Por isso escolhi Frank Sinatra como tema do post de hoje.

Não sei se é neura, se é cansaço, se é falta de rumo, mas ando com um sono…
Na quinta dormi de 16h às 21h30. Tirei a tarde livre porque tive que fazer exames e pedi para trabalhar em casa.
Resumo honesto: não trabalhei nada e dormi profundamente.
Ontem dormi de 19h até 21h30. Sono pesado.
Pode ser o clima, pode ser o tempo frio, mas não é normal.

Falando de cães, Alice está revoltada contra o sistema.
Escolheu um canto na sala para chamar de banheiro.
Agora, com um ano e quatro meses, já adulta, tem que ficar presa no quarto de empregada para dormir.
É a única maneira dela usar o jornalzinho corretamente.
Imagino que ela quer dizer algo com isso…
Mas só entendo au-au.
E adoraria aplicar essa técnica.
Pode ser assim: chego no trabalho, e paro o carro na vaga da presidência.
Ou sento na mesa da recepção para trabalhar.
Ou ocupo toda a área do café com as minhas coisas…
Será que cola?

E a tal Era de Aquário? Será que o mundo muda hoje?
Sei que fecharam a rua aqui do lado para fazer um desfile de pré-carnaval.
Vai ser o inferno na torre… Ou é um sinal?
Melhor me jogar no meio da paulistada que acha que samba… (?)
E, pelo menos, acaba o terrível horário de verão.
Mais uma hora para esse meu sono atávico.
Na Era de Aquário, eu gostaria que houvesse menos caos.
Não quero um mundo 2+2, pura matemática e organização.
Mas quero um mundo mais preto no branco.
Porque o caos é terreno fértil para os incompetentes, que se escondem nas baias dos grandes escritórios.
É terreno fértil para quem não faz nada não levantar suspeitas.
O caos não nos leva a lugar nenhum.
Ele confunde…
Eu queria um pouco mais de clareza.

E me pergunto: onde andam os corajosos?
Onde andam os que não têm medo?
Porque olho em volta e não vejo muita gente assim.
Vejo gente que não enfrenta os problemas.
Vejo gente que se deixa abater.
Vejo gente que topa levar nas costas para não ter que brigar.
Vejo muita gente covarde e pouca gente que diz o que pensa.
Hoje é todo mundo politicamente correto.
Todo mundo pisa em ovos para não arrumar confusão.

Quero mais Cássia Eller, mais Francis, mais Mickey Rourke, mais Sean Penn, mais porrada.
Menos mel.

[audio:20-my-way.mp3] My way

Ana Hashimoto Pessoa

[audio:03-mesecina.mp3]
Detalhe do pescoço de Hashimoto
Detalhe do pescoço de Hashimoto

Ontem recebi os resultados do meu check up anual (anual é forma de falar, porque ano passado nem passei na porta do médico – e esse ano já passei no hospital para tomar soro… Sinal que preciso me cuidar melhor). E descobri que posso estar com Tireoidite de Hashimoto.
Claro que pensei num distante parente japonês, que me deixou de herança essa porcaria.
Talvez um artista consagrado, famoso autor de mangás.
Mas não é nada disso. É só um médico danado que descobriu uma doença auto-imune, difícil de diagnosticar e que atinge milhões de pessoas no mundo todo.
Vários genes seriam responsáveis por esta doença, o que caracteriza uma Herança Poligênica. O problema é mais comum em mulheres (oito para um) e, na maioria das vezes, é causado por excesso de iodo na alimentação e remédios.
Em resumo: ou é uma herança genética, ou um excesso de iodo na alimentação ou um excesso de certos tipos de remédios. Seja lá o que for, esse negócio faz com que meu próprio corpo ataque a tireóide que deixa de produzir hormônios. Sintomas? Cansado, desânimo – ainda não aconteceu comigo -, falta de libido – socorro! -, e metabolismo lento – ou seja: engorda!
Enfim, pelo exame, eu tenho isso e não há cura. Agora tenho que fazer mais exames para saber como resolver o caso. Ou não fazer nada – e acompanhar com exames duas vezes por ano – ou tomar hormônios.
Tudo isso me fez pensar na nossa integração com o meio ambiente. Como não tenho parentes que notadamente tiveram o problema, provavelmente o excesso de iodo em nosso sal (para combater o bócio no Brasil, veja a ironia), ou o uso de remédios além da conta (para a presidente do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente, da Sociedade Brasileira de Pediatria, Renata Waksman, os hábitos culturais, a educação, a falta de legislação e, principalmente, o fácil acesso às farmácias contribuem para o alto nível de automedicação no país).
Enfim… É para se pensar.

Mas… Vamos ver o lado bom: agora descobri porque dei uma engordada nos últimos meses. E a solução pode estar próxima. Claro que vou continuar ralando: as corridas de 7km, o pilates 4 vezes por semana… Afinal, não há hormônio (dentro da normalidade, é claro) que faça com que a pança e as pelancas desapareçam…

Nada que um sábado de sol, uma volta com a Alice, dois dias de bobeira não curem.
Rapidinho serei uma nova Isabeli Fontana. Ou Ana Hashimoto. Risos e mais Risos.

El nido vacio


Engraçadas algumas coisas.
Dia cheio.
Saí com a cachorra.
Tentei fazer exame de sangue. Fui em dois laboratórios. Lotados…
Aí fui fazer a unha. Salão lotado. Manicure atrasada. Marquei para mais tarde.
Fui para o Ibirapuera correr.
Eu, Fred, Alice.
Era tipo uma da tarde.
Hora péssima. Terra molhada, lama.
A corrida foi boa.
Volta para casa.
Lavar tênis. Dar banho na cachorra.
Corrida para o shopping. Meia hora antes do salão.
Sorvete de jabuticaba. De pitanga.
Salão.
Cortei cabelo. Força para o ano que começa.
Finalmente fiz a unha.
Almoço.
Hambúrquer vegetariano.
Do lado de fora, Jardins. E a judeuzada volta da sinagoga vestida em trajes do século XIX.
Pensei em várias coisas.
Depois, cinema.
Antes da seção, pensei.
Acho que eu não queria ser nada do que eu sou.
Mas te colocam na escola e você se adapta.
Te exigem um diploma e você sonha com uma determinada profissão.
E vc vai à luta.
E nem pensou direito no que queria fazer.
Eu me formei há 12 anos.
Há doze anos pareço cega, tateio no escuro.
Fui para lá, vim para cá, parei em São Paulo.
Mas teve pit-stop em Salvador, Rio, Fortaleza, San Antonio de Los Baños.
Sem bengala, com dificuldade para saber onde estou, mas indo, caminhando.
E o filme.
Ninho vazio.
É mais ou menos isso.
Uma vida inventada.
Outra vida.
Outra história.
Será que dá para mudar o caminho?
Será que a gente quer?
Como teria sido a outra vida?
Uma vida de mais escolhas, de menos corrente.
Como teria? Teria?
Mil coisas na cabeça.
Mais um sábado.

O ninho vazio.

El fuego y el combustible