Ao ser assaltado, cuidado para não se matar…

urban2home

De manhã, CBN no rádio e o jornalista Gilberto Dimenstein oferece seus incríveis conhecimentos para o ouvinte…
Ontem uma moça de trinta e poucos anos foi morta com dois tiros ao tentar reagir a um assalto. Detalhe: ela caminhava pela rua onde fica a residência do prefeito de SP.
E nosso brilhante jornalista dá a dica: ao ser assaltado, não reaja. Pois os bandidos, nervosos, podem puxar o gatilho. E emendou um: “se a moça não tivesse reagido, a história poderia ter sido outra”.
Ca-la-ro!
Você está caminhando às 14h da tarde, num arborizado bairro de classe média alta, com um dinheiro que acabou de sacar (segundo a polícia a moça teria saído do banco). Aparecem dois sujeitos numa moto e te abordam.
Qual é a sua reação na hora?
Eu, sinceramente, com meu dinheiro suadíssimo no bolso, com minhas contas a pagar, não teria tempo para pensar. Teria uma reação quase que involuntária: tentaria proteger minha bolsa.
Num distante carnaval em Olinda, 1998, 15h da tarde, isso me aconteceu. Dois caras e um trinta e oito na minha cabeça.
Na rua, os blocos de rua cantando, distantes um quarteirão…
Eu discuti com o bandido, joguei minha bolsa no quintal de uma casa, ele ficou nervoso, o parceiro dele também. “Ô balancê, balancê…”Confetes… Gritaria.
E o cara fugiu. Salvei minha bolsa, meu talão de cheques.
Sinceramente, é de quinta culpar a morta. A culpa foi dela porque reagiu…
Alguém se lembra do Maluf? Estupra, mas não mata…
Dimenstein, nos poupe de sua “sabedoria”…

Uma coisa puxa outra e pensei no Michael Phelps.
Marijuana+Phelps=US!
Segundo o site G1, a Federação de Natação dos Estados Unidos suspendeu sua estrela olímpica Michael Phelps por três meses, nesta quinta-feira, depois que um jornal britânico publicou uma foto, na qual ele aparece fumando maconha. Além de não poder competir, o nadador também ficará sem receber o apoio financeiro da entidade pelo mesmo período.
Gente, santa hipocrisia.
No país de Timothy Leary, de Hunter Stockton Thompson , o pai do jornalismo Gonzo, o nadador recordista olímpico e ganhador de 8 medalhas de ouro tem que virar boi de piranha.
Crianças, vejam como é feio. O moço fumou maconha.
O moço que parece um gremilim tamanho GG. Viveu 23 anos numa piscina – deve ser uma uva passa de 2 metros.
E, finalmente, fez o que o pressionaram a fazer desde criancinha: venceu, papou todas as medalhas.
Agora, jovem, feio para caramba, famoso e milionário, ele quer festa. Passou dias jogando pôquer em Las Vegas, arrumou uma namorada dançarina-modelo-peladona, e foi participar de uma festinha numa universidade.
E o que os jovens americanos fazem nas festinhas universitárias? E os jovens brasileiros?
Atire a primeira pedra aquele que nunca tocou numa gota de álcool até ter completado 18 anos. Afinal, no Brasil, é proibido uso de bebida alcoólica por menores de 18 anos…

Será que estamos regredindo? Dos 70 para cá, estamos cada vez parecendo mais e mais com nossos tataravós.

Contabilidade, boas idéias e aquela vontade de fugir

rosafeliz

Cena 1 – Academia – 7h

Eu chego animada. Eu sempre chego animada para malhar.
Um pouco cedo para a aula de abdominais de 7h30.
Vou para a esteira, para dar uma aquecida de dez minutos.
Na minha frente, uma poderosa, de bermudinha e top, morenaça, correndo.
Eu, like always, de malha ok, e um coque bagunçado para não ficar de cabelo molhado de suor.
Ligo a TV da esteira e vejo a Mariana no BDBR.
No reflexo do espelho, a poderosa da academia.
Eu penso: parece uma ex-colega da escola.
Olho de novo.
Não pode ser. A ex-colega já teve dois filhos, casou com um cara mais novo, mora também em SP.
Olho mais uma vez.
É ela mesmo.
Dois filhos, um corpaço, correndo a 10km/h.
Oooops.
Tá na hora da minha aula.
Eu fui corcunda caminhando para meus abdominais.
Com os seis kg que ganhei de outubro para cá, não ia ser hoje que ia falar com a ex-colega.
Só no ano que vem. E se tudo der certo.

CENA 2 – Escritório – 10h

Ainda não estou inscrita no SAP da empresa.
Nos últimos meses fiz quatro viagens: Peru, Argentina, Porto Alegre, Chile. Fora alguns almoços e gastos extras com eventos e promoções da empresa.
Recebo um e-mail do financeiro.
Não tenho como fazer a prestação de contas das minhas viagens e muito menos receber reembolsos.
Só quando meu número de SAP for liberado.
Ou se eu fizer em nome de outrem. É sério. Se alguém prestar contas por mim.
Contei até mil. Respirei fundo.
Ca-la-ro que ninguém vai me pagar com juros o dinheiro que gastei em nome da empresa.
Ca-la-ro que vou ver esse dinheiro no dia de São Judas, aquele das causas impossíveis.

Cena 3 – Concessionária – 11h30

Tive uma reunião rápida perto do trabalho e aproveitei para deixar meu carro na revisão de 18 meses.
Eu havia marcado horário.
Óbvio que não encontraram meu nome.
O carro ficou lá.
Se tudo der certo, amanhã de noite, na hora do meu rodízio, o carro vai ser liberado.

Cena 4 – Escritório – 12h29

Blogando no trabalho.
Esse é pelos juros do que me devem.
Contei até cinco.
Meu dia feliz começa agora.

Sapatadas, a mídia e outras bagunças

Antes e Depois

Segundo o WSJ, citado hoje pelo Nelson de Sá, ao contrário da depressão, quando a turma que não tinha o que fazer ia ao cinema (que o digam também os cubanos que eu vi, em 2001, invadirem e até darem sapatadas no lanterninha durante o festival de Havana*), na era de blog e twitter, tá todo mundo na internet. O meu twitter já vale 50 dólares.
Não é nada, não é nada, paga meu almoço durante uma semana.
E a internet?
Como jornalista, passei por alguns dragões e elefantes da mídia: revista Veja, TV Globo, Vogue… Acho que só faltou a Folha para completar minha ficha corrida na polícia.
E, apesar da reclamação, de problemas sérios de RH, remuneração e bonificação, os meios têm uma organização de reloginho. Um fechamento é uma coisa de louco.
Juro que já saí da Veja às seis da manhã de sábado num longínquo 1997 e, ao chegar em casa, na altura do Masp, a revista que eu tinha acabado de co-escrever já estava em minha casa!
Impressionante: se eu saí da redação, como o material desceu para a gráfica (naquela época, a redação da Veja era na Marginal Tietê), foi impresso, entregue ao distribuidor que, antes de mim, já tinha passado pela minha casa… Tudo em 40 minutos?!
E quem já entrou num switcher e viu a coordenação de um telejornal tem um infarto!
As matérias chegando, a transmissão ao vivo que vê “cair o sinal” na hora da entrada do repórter. Isso quando o cara não está na China, ao vivo, nas Olimpíadas… São dezenas de jornalistas, engenheiros, modelos e atrizes, contínuos e muito mais gente que fazem o telejornal ir lindinho e quase sempre completinho para o ar. Gente correndo, gritando, matéria sendo revisada e o telespecatador curtindo tudo sem saber do estress que há por trás.
E uma preocupação danada com a correção, com a lei, com o certo e o errado. É uma coisa: os editores-chefes com quem trabalhei tinham defeitos, mas havia um preocupação explícita com o correto, com dar os vários ângulos da história. Sim, mesmo na Veja! Uma coisa é fazer uma matéria maliciosa, tendenciosa, outra coisa é dar um ângulo só da notícia.
Mas vamos fugir dessa polêmica, porque não é o objetivo desse post hoje.
Agora, do outro lado, na internet, e não mais na área de conteúdo, tenho visto que improviso e criação são lei.
Mas quando se soma conteúdo jornalístico, isso pode ser ferro na boneca!
Na Itália, o Google está sendo processado por difamação e violação da intimidade. Tudo por conta de um vídeo adicionado há dois anos que mostra adolescentes italianos tripudiando de um menino com síndrome de Down.
Fotos, imagens, textos – hoje todo mundo é repórter.
E nunca fui a favor do curso de jornalismo.
Jornalista tem que estudar ciência política, sociologia, outra coisa. E estudar ética, direito, cadeiras importantes na formação desse profissional.
Mas se todo mundo é repórter sem o mínimo de formação, vale tudo, certo?
Vale divulgar suicídio na capa do site, vale imagem de mulher pelada, de garotada batendo no índio, vale tudo mesmo.
Não sei – ando apaixonada pelo Twitter, pelo blog, por outras idéias.
Afinal, assino o que digo, e não é um conteúdo que tem “o compromisso com a verdade”.
É muito mais network, graça, passar tempo, conectar-se.
Mas ando solidária e preocupada com os profissionais de conteúdo na internet que, em geral, têm sido tratados ainda na paralela…Afinal, “eles fazem o que qualquer um pode fazer”…
Talvez por isso, inconscientemente, eu tenha saído dessa.
Ou por já ter dado minha parte do bolo.

* Voltando a Cuba, a cena – real – se passou no cine Yara. Quebraram o vidro da entrada. E adivinhem que filme estava passando? Um filme americano – proibido oficialmente até hoje na ilha.
Quem disse que a onda do sapato começou no Iraque?

Sapatada no lanterninha já era moda em Havana…

Meu dia de ontem...

Momento sem nada

O mundo está mudando.

[audio:03-ideologia.mp3]

 E as corporações insistem num modelo antigo.
Onde estou, a disputa por mesas, micros e cadeiras é uma loucura. Se um foi demitido, outro corre e coloca a bandeira do conquistador na mesa dele. Faltam mesas, faltam lugares…
Mas quantas vezes você saiu, foi para um almoço e fez o melhor benchmark do mês? Ou numa cervejinha, sábado de sol, batendo papo com amigos e poof! Surge a idéia que vc estava buscando?
No meu trabalho, acho que eu renderia muito mais se viesse duas vezes por semana para o escritório.
Uma para ver a pauta, arrumar questões que só podem ser feitas do escritório e outra para calls, para falar com todo mundo.
Hoje, por exemplo, são 11h16. Até agora, nada.
Vendo emails, batendo um papo, pensando em pendências do job 2.
Minha chefe “tem reunião na escola da filha e só vem depois do almoço”.
Gente, as corporações precisam se ligar.
Em casa, a energia quem paga sou eu. O telefone ídem. O celular corporativo vai para todos os lados. Meu computador, no meu escritório. Uma volta na Vila. Um almoço feito pela Antônia.
Eu iria render horrores. Iria ser um espetáculo.
Aqui, pareço passarinho na gaiola.