Almodovar sem acento

18838058_w434_h_q80

Dia tao interessante ontem que topei fazer algo que odeio com todas as forcas. Usar o computador do hotel.
Cafe da manha politicamente incorreto: pain au chocolat, limonada organica, bowl cheio de berries. Almoco anorexico: meio copo de cha gelado.
Cineminha no Lincoln Center e… Almodovar. A Mari, supercool, perguntou: “Aquele nao eh o Almodovar?”. Eu, supermetida a saber tudo: “Imagina”.

Era. E tropecamos nele.
Coisas de New York Film Festival.

Entramos na sala de cinema. Eu pensando: 16 USD por um filme novo do Almodovar, legal.
Nao era um filme novo. Era ele em persona. Mostrando filmes que o influenciaram e homenagens que fez a estes filmes (sequencias e mais sequencias) em seus proprios filmes.
Superironico (adoro), inteligente, ferino. Meteu o pau na cultura americana e na ignorancia da massa. Falou por metaforas, com elegancia. Sobre o caso do Polansky, acusou o povo americano de ser futil e hipocrita. Fui ao delirio. E a plateia, meio sem entender ou meio se auto-criticando, aplaudiu.

Alem da polemica (que para mim eh algo afrodisiaco), ele falou de um idolo (meu e dele). John Cassavetes.
Eu acho que minha vida caberia no roteiro de A Woman Under the Influence (1974). Nao me faca perguntas. Nem seja besta de pensar que sou uma maltratada pelo marido. Eh que tenho algo de Gena Rowlands. Never the beauty, never so stupid…
(!)

Completamente “adrenalizada” avancei sobre a 5th. Com tempo para encontrar(mos) um moco que conhecemos no aviao e que, logo, virou companheiro de Fashion’s Night Out. Nao ficou dolar sobre dolar. O primeiro Herve Leger preto, justo, cavado e tecnologico (pois nao deixa uma coisinha fora do lugar) ninguem esquece. Se nao for pelo efeito, eh pela conta bancaria.
Tentada a atacar Louboutins e Yves Saint Laurents, corri para MeatPacking.
So o Pastis Salva.

E tomamos Taittinger para celebrar Almodovar, o mundo latino, nosso jeito cara-de-pau de ser. E meio abilolado.

No Village, um momento all alone.
Adoro, adoro, adoro.

Confesso que sou meio sexista nessas horas.
Odeio a cara de lobo bobo deles quando a gente esta caminhando sozinha.
Odeio os comentarios-cantadas.
E um snooker bar (deja vu de algumas nights na Lapa, no Rio) me salvou.
Se existe um antidoto para nao virar carne no acougue, eh fazer pose de diva que sabe jogar sinuca em territorio desconhecido.

O resto da noite?
Agarrada com Leger como se nao houvesse amanha.

My kind´a!

f7f4e9a3fc519d91c132377df052df1aad646eb7_m

Pois é… Ele anda super gordo e a cara de louco está mais redonda.
Dizem que é louco. Os filmes que estrelou contribuem para a fama. O meu preferido é O Iluminado. Um estranho no ninho fica atrás, na briga pelo número um.
Os últimos filmes foram bem meia-boca. Mas tudo bem, não dá para ganhar todas sempre. Dá é para sair pela Riviera Francesa num iate exibindo a pança sem medo.

Mas louco mesmo é esse inglês. Vejam a casa que ele construiu com mil voluntários. Toda de lego: paredes, móveis e até um gato. Que foi roubado.

legohouse

Agora a casa foi demolida… É que o cara pegou o terreno emprestado com um produtor de vinhos que precisa tocar o negócio e cuidar dos vinhedos. O terreno é mais produtivo com uvas do que com lego.
Para desmontar a casa e remontá-la em outro lugar o custo seria de cinquenta mil libras… Faça as contas e veja por que não sobrou lego sobre lego…

Quer saber mais ou ver a foto do gato de lego?
Vá para: http://news.bbc.co.uk/2/hi/entertainment/8269479.stm

http://tinyurl.com/ycuwob2

Por que o povo elogia José Alencar?

metro

Acho bem estranho o caso.
Nosso VP tem câncer.
Incurável e agressivo.

Se fosse um brasileiro de classe média – como eu – já teria batido as botas.
Mas se candidatou a um tratamento experimental nos Estados Unidos.
E, no Brasil, faz tratamento no Sírio Libanês, um dos melhores hospitais de São Paulo.
Tem os melhores médicos, equipamentos, medicamentos, a melhor infra-estrutura (faz bate-volta em avião particular seja de Brasília para SP ou para Boston).
Na imprensa, nas rodinhas de café, todos são só elogios.
Como é guerreiro. Como tem disposição. Como não esmorece.

Eu sou jornalista de formação.
E mineira.
Vamos ao que levantei: cada bate-e-volta do VP para os Estados Unidos não sai por menos de 60 mil reais.
Cada exame – esqueça nossas tradicionais tomografias e outras. Ele faz exames modernésimos e tenho um contato que trabalha com o médico responsável pelos exames de José Alencar. Pois bem, cada batelada de exames (que nenhum plano de saúde cobre) sai por cerca de 20 mil reais.
Ele chega a fazer até 2 séries desses exames por mês.

Calma, não me leve em uma conta tão ruim.
Eu não estou aqui fazendo matemática mesquinha.

Mas quero entender a adoração do povo.
Se esse homem tem tanto dinheiro para enfrentar uma doença que – querendo ou não – vai tirá-lo desse mundo, por que ele não faz como os endinheirados europeus e americanos?
Faz uma doação para um centro de estudos e pesquisa do câncer.
Constrói um centro de estudos.
Ajuda os que não podem enfrentar essa doença como ele.
Por que ele não pensa nos outros? Se a profissão dele é para isso…

Será que sou do contra?
Será que não vejo o copo meio cheio?

Mas eu espero sempre mais de líderes públicos – políticos ou não.
E, nesse caso, é o triunfo do egoísmo.
Bacana ele seria se pensasse nos que estão na mesma situação que ele e que não têm os mesmos recursos.

Há brasileiros que pensam de outro modo.
E estão salvando vidas.
Recomendo a leitura de uma matéria que foi publicada hoje:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd2709200901.htm

É sobre gente que parou para pensar nos outros.
E salvou vidas.
Mesmo sem possuir recursos.

Abaixo, dois links sobre alguém que pensou de outro modo. E fez a diferença.

http://www.icla.org/default.asp?id=255

http://www.newyorksocialdiary.com/node/44203

E um link para quem quer ser doador.

http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?ID=64

Geraldo Mayrink, o amigo que me recebeu em São Paulo

mayrink2-1

Geraldo Flávio Dutra Mayrink. Porque nós, mineiros, temos nomes de reis de Espanha e Portugal. Eu, por exemplo, sou Ana Luiza Pessoa de Mendonça e Alvarenga.

Pois Geraldo, recebeu-me em São Paulo quando eu tinha 21.
Passaram-se 13 anos (!).

Eu não sabia dirigir, mas fiquei com o carro que minha mãe trouxe de Minas e, para fugir das horas de ônibus, várias vezes me aventurei na Marginal Tietê. Para os amantes da estatística, em dias normais, a Marginal registra uma média de 7,7 km de congestionamento.
Pois bem: sem nunca ter dirigido, sem habilitação e sem juízo, eu partia para a editora Abril, um caixote velho e feio, na beira da Marginal.
Quase sempre me esquecia do pedal do freio e parava o carro desligando a chave.

Como era praxe na revista Veja, ninguém dava bom dia para os novatos.
E eu sempre tive o azar (ou a sorte) de subir o elevador com o editor-chefe, o Mario Sergio Conti, um cara super esquisito, como 99% daquela redação.
Imagine o impacto diário: você acaba de estacionar o carro (e esqueceu onde fica o freio), o coração a mil por hora, e dá de cara com o BIG BOSS no elevador. Você, mineira, bem educada, 21 anos, fala bom dia. O cara, não te olha, vira de lado, aperta o botão. Silêncio. Vocês sobem até o penúltimo andar. Caminham pelo mesmo corredor. Você vai para a sua mesa num corredor de baias. E ele para um aquário em frente ao seu corredor de baias.
Quase todos os dias.
Sem dizer bom dia.

E surge Gegê.
Gegê, assim mesmo.
Com toda essa intimidade.
Gegê que escreveu essas palavras sobre o primeiro homem.

O exemplar da espécie original foi chamado de homem e chegou primeiro a um mundo que ainda nem podia ser chamado assim. Isso o traumatizou (como se diria no futuro, pois o ser não tinha vocabulário nem imaginava o que a vida lhe reservava).

(…)

Depois, num enredo confuso, Eva corneou o marido — com quem não era casada e mesmo sem a presença de outros homens assediando-a, para caracterizar um ato de traição. Foi quando ela comeu um fruto proibido. Teria sido uma maçã, mas não há provas, como não há de que Adão, convencido por ela, teria provado do mesmo fruto proibido. Aí Eva foi por Deus expulsa do Paraíso onde vivia com o companheiro, e o desfecho da intrigante trama ainda não aconteceu.

Fica claro o fato de Gegê estar entre o mísero 1% que me faz até hoje ter ótimas lembranças da Veja. Aquelas escadas de fábrica. A sopa de não-sei-quê com cebola servida no bandejão. As inúmeras madrugadas perdidas enquanto seu texto não voltava da entidade chamada editor. Aquele ser que ficava a 3 metros de você e que não te dava bom dia.

Ao ser contratado pela Veja nos anos 90, o foca tinha algumas obrigações. Entre elas, a primeira era de ler, reler e passar adiante o mico histórico da matéria do Boimate (explico: é costume entre os cientistas e jornalistas especializados publicar matérias-piadas no primeiro de abril. Pois a inglesa New Science inventou que cientistas de Hamburgo haviam criado um híbrido de filé com tomate. A Veja, na maior barrigada da história, acreditou e publicou a história como sendo verdade). Detalhe: o texto, de 27 de abril de 1983 foi assinado por ninguém menos do que o atual editor-chefe da revista, Eurípedes Alcântara (outro mineiro, mas esse de uma estirpe menos ilustre, a dos que fazem caca em público).

A outra obrigação era ler um dos maravilhosos textos de Geraldo Mayrink.

Detalhe, quando pisei meu saltinho 37 na redação da Veja, ainda trabalhavam em carne, osso e pescoço Roberto Pompeu de Toledo e Okky de Souza, entre outros incríveis. Eu não entedia – e ainda não entendo – o culto ao editor-chefe e sua entourage (Paulo Moreira Leite, Eurípedes Alcântara – na época, em NY – Mainardi, que ficava na Itália, etc), e um certo desprezo justamente por esses caras que eu amava. E eu não só amava como babava, babava como bezerra nova (que era) por essa velha guarda.
E mais: eles me davam bom dia, boa tarde e boa noite. TODOS OS DIAS.
E vejam a sorte. Não raras as vezes, aos domingos quem eu encontrava no La Villette da Vilaboim? Geraldo Mayrink!

Eu comia batata-frita, sorvete, e pagava para ele um copão de vodka. Era um orgulho para mim pagar a vodka do Geraldo.
E falávamos de Sartre.
De ping-pong.
Da China e de Cuba.
Falávamos de cinema.
De política.
E de como era chato ter que trabalhar na Veja.
Ele me chamava de Narizinho Existencialista torta.

Outro foca mais velho que eu e que já não estava lá quando eu cheguei, o Luis Nassif, também fez seu tributo ao Gegê. Lembrou ele:

Geraldo era o mais admirado. Crítico de cinema, conseguia produzir análises saborosíssimas, recheadas de ironia, no espaço exíguo de uma revista semanal. Suas imagens, como por exemplo do ator “expressivo como um helicóptero”, e outras do gênero, eram motivo de diversão e de admiração geral.
E ele sempre com aquele jeito pacatão, nenhum deslumbramento, sabendo rir de si próprio, quando dizíamos que ele era clone de Dolores Del Rio, atriz de faroeste meio queixuda, que nem ele.

Geraldo Mayrink, que pena que você partiu.
Já sinto falta de você. Um abraço, amigo querido.

Do lado de lá

Um gato muito gira
Um gato muito gira

Invadi um site tentador.
De uma colega dalém mar.
Lá de Portugal.
O site de Sara Ezequiel é uma fofura – e já está indicado nos links ao lado é o Tomatorosato.

Fiquei apaixonada pelo gato Jacinto.
Gente, se Bibi, Leleco e Mafalda, meus três gatos de rua – mineiro e nordestinos, respectivamente – conhecerem o primo português, tenho certeza que sairão faíscas. Puro ciúme!
Jacinto adotou a loja da Tomatorosato como sua.
Ganhou casa, comida, remédio e até cobertor fashion.

Fashion mesmo são as criações dela.
A capinha de Moleskine é um luxo!

capademoleskine

E minha preferida, peça única, foi essa second bag. Diz que não é um luxo total?!
doces3

Gente, vamos a Portugal.
Adorei tudo.
Quero dar tudo na revista…
Quero comprar tudo.
Menos o gato Jacinto.
Esse é para agarrar!

Atenção: fotos retiradas do site e do blog. Só para divulgação…
Quer comprar?
Vá lá: http://www.tomatorosato.com/

Um homem chamado John Galliano


John sendo atacado por Eva Green

John sendo atacado por Eva Green

Bonito, charmoso, gay.

 

Para mim, John Galliano é um dos caras mais bonitos do século. 

Com um corpo poderoso, a cara e o bigode de pirata, ele é tudo e ainda é inglês.

Nada a ver com a bruxa má, Karl Lagerfeld. Uma coisa alemã sadomasô que adora bolsinha de corrente para peruetes sem estilo.

De John, eu tenho apenas uma bolsa de edição limitada em forma de sela de cavalo feita  em homenagem aos gaúchos argentinos. 

Filho de mãe espanhola e de pai nascido na península britânica de Gibraltar, o inglês genial que assina a haute couture da Dior passou os seis primeiros anos de sua infância no colorido Mediterrâneo.

Em 1966, ele e a família se mudaram para Londres. Aluno mediano, John estudou na poderosa Central Saint Martins, onde suas criações já estrearam causando impacto. A coleção de formatura, inspirada na Revolução Francesa e intitulada Les Incroyables, acabou indo parar nas vitrines da loja super trendy Browns. 

Um ano depois de formado, em 1984, John criou sua própria grife.Temas românticos e delicados e alfaiataria de primeira já eram sua marca. Em 1987, ganhou o prêmio de Estilista Britânico do ano, mas a grife não ia bem e acabou falindo.

Em 1990, Galliano se mandou para Paris. E foi acolhido pelo mundo da moda. Kate Moss trabalhou para ele de graça.

Em 1995, tornou-se o primeiro inglês a dirigir uma maison francesa: a Givenchy. A mistura de temas latinos, românticos, idéias do passado em cortes contemporâneos e poderosos era nova, incrível, infalível. Ao entrar para a Dior, John virou uma lenda da moda.

John em fotos: http://tinyurl.com/5w82cs