Cirandinha

puxe a corda

Sair de esquadro.
Uma volta de carro e gritos histéricos de liberdade só para chegar em casa e sentir-me inteira novamente.
Gritos em silêncio.

Sentir o sol, o vento, ver os pelos muy eriçados.
Querer fugir de tudo o que me obriga. Como você.
Como todo mundo.
Fugir tendo os pés fincados no chão.
E, mesmo assim, voar.

Aceitar tudo o que não me cabe.
Não caber em mais nada.
Que serenidade é essa que me faz fugir do espelho?
Não ter mais aquela fome.
Aproveitar cada pequeno segundo que – ah, ironia – não cabe mais em um minuto.
Ser grande e saber que não sou nada.
Eu sei (?)

Despedir dos amados.
Levantar e seguir pela estrada. Só.
E desaprender a viver nessa solidão que um dia foi tão minha.

Uma segunda-feira.
Gosto de amora preta na boca.

6 respostas para “Cirandinha”

  1. acho que voce encontra a solidão de todo modo, é a condição nossa, interna, inevitável, solidão que faz companhia a outras solidões

  2. ah, encontrei naquele verão camusiano que recebi há tanto tempo de ti as imagens mais bonitas das últimas semanas – e como resultado, uma melancolia enorme de algo que só ele viveu…

  3. Não sei.
    A minha natureza é muito social.
    Preciso fazer um grande esforço para encontrar a solidão.
    E ela me escapa…

  4. sim, sim. mas é sempre você sozinha com os outros, você sozinha com j., você sozinha com alice, com o verão, com uma colorado pale ale, com a r. faro.

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