Ferro & Fogo

Bang!
Somos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro

Eu adorei a derrota de Cameron para Bigelow. Porque Avatar é um filme micho, smurfs para adultos. Comprei nessa viagem, e em blue-ray, o filme da diretora premiada – que já havia saído de cartaz lá e, aqui, acho que nem entrou. Mas desconfio que não vou gostar (ainda não assisti). Segundo o Estadão, “a própria ideia do filme – a adrenalina que move os soldados de Kathryn, na Guerra do Iraque – estaria (está?) mais para afirmação do que contestação do establishment militar. Os militares são os vilões de Avatar e os heróis de Guerra ao Terror. Os heróis?”

E o jornal vai mais longe: “É esse o enigma Kathryn Bigelow. Desde o começo da carreira dela, Kathryn tem seguido vias tortuosas para expressar sua fascinação pelo mal.”

Mas que eu achei ótimo ver o diretor dançar, achei. A prepotência, o macho, o espetáculo pelo espetáculo contra um bom e velho argumento: a guerra de verdade – mesmo que na do filme vencedor do Oscar os soldados americanos vençam uma vez mais.

Dizem por aí que a diretora americana gosta de repetir uma citação de Freud: as pessoas gostam de olhar o que estão proibidas de ver. E, nisso, o pai da psicanálise estava muito certo. As filas na estrada quando há um acidente, as janelas indiscretas da cidade grande, o trocador de roupa do magazine… O político que coloca dinheiro na meia, a cirurgia plástica que virou seriado de TV a cabo, a babá que espanca velhos e crianças em horário nobre.

Eu, por meu lado, estou vivendo uma experiência nova. Você tem idéia do que seja chegar com email, computador, flores na mesa (dia da mulher – bah!), exame feito, documentos levantados, carro comprado (que só chega em 60 dias), placa do atual registrada na garagem, etc, etc, etc? Esses pequenos mimos me atraem – e muito. Tá certo que vivemos e trabalhamos sem precisar de nada disso, mas é essa a tal da diferença.

E imaginem minha cara ontem, quando ao entrar no consultório do médico do trabalho, o fofo sentou-se na cadeira e (nada de sala limpa, recepcionista simpática, gadgets que aferem pressão, que levantam colesterol e glicose)  mandou fechar a porta. Achei tão deselegante. Ele lá, cômodo, sentado e eu tendo que me deslocar até a porta para fechá-la. Pois foi com essa porta real que fechei a minha porta literal.

Claro que `as 16h30, quando desligaram meu email, senti um apertinho no peito (o fato do meu blackberry estar sem acesso a internet por uma semana ajudou). Perdi todos meus emails de despedida. Todos. Freud explica o fato de eu não ter guardado justamente esses emails. É a tal da porta que fica entreaberta.

Mas uma coisa é certa: estou curtindo já saber que tenho que ir para o Rio amanhã, para a Áustria na segunda semana de abril, que tenho um calendário gigante a me ajudar… Esse negócio de ir com fé e sem planejar me parece coisa de homem das cavernas. Eu não sou certinha e arrumadinha, mas curto saber onde vou estar amanhã. Nem que minimamente.

E para fechar o post com cinema, o tal do argentino que ganhou é um lixo. Eu vi em novembro em Buenos Aires. El secreto de sus ojos era uma febre por lá, eu achei tragicômico. Saca novela da Globo nos anos 80… Ciranda de Pedra? Tipo isso. Os atores canastríssimos – Ricardo Darín cada dia despenca mais uma ladeira – , o roteiro frouxo, pessimamente amarrado… Mas os caramelos que comprei e o fato de ser dia de semana, três da tarde… De qualquer modo esse é um filme que não representa a maestria dos portenhos nessa área. Uma pena.

Para curtir:

Matéria fresquinha da Time Magazine http://www.time.com/time/arts/article/0,8599,1970502,00.html (descubra por que Avatar e George Clooney viraram piada na noite do Oscar)

Indicação de blog de mulheres de trinta e de um post muito bom sobre separação, burocracia e humor: http://3xtrinta.blogspot.com/2010/03/cartorios-nao-gostam-de-divorciadas.html


2 respostas para “Ferro & Fogo”

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