Mrs. Bean

Prazos apertados, calor danado e (…)!
Internet, telefone – tudo fora do ar.

A moça da limpeza colocou a tomada do aspirador na fonte master da casa.
Primeiro pensei comigo: fusível queimado.
Pedi para ela interfonar para o porteiro e descobrir com ele onde poderíamos comprar um novo.

– Adelino, onde a gente compra um fuzil (sic) que o da dona Ana estourou?
E eu gritando: “fu-sí-vel”.
E ela repetindo para o moço:
– FU-ZIIIIIIILVE!
– Sei não senhora não.

Tenho pressa, texto para entregar!
E eis que uma parede inteira está sem eletricidade. Duas salas, dois banheiros… Uma parede inteira está mortinha da silva.

Enquanto a moça corria atrás do fuzil, eu virava eletricista.
Abro a caixa de passagem e começo a testar todas as chaves.
A casa vira uma boate e a porcaria da eletricidade volta.

E ela também volta esbaforida:
– Os fuzil estão em falta no Recife.
Respondo com calma que entendo. O crime anda mesmo organizado.
Ela nem pisca.

Texto enviado, hora de ser dona de casa.
Lista de compras: eu falo, ela escreve.
1) Guarda Napo
2) Amém Duas
3) Olho
4) Marionese
5) Colvei
6) Massan
7) Venixe
(…)

Chego em casa exausta, peço para guardar as compras.
Num vidro, ela mistura os grãos de arroz e feijão.
Eu, que não prestava atenção, só tive tempo de ouvir a explicação:
– É uma pena que não dá para fazer com a mistura numa panela só.
Pergunto se ela é maluca.
Ela diz que é meio assim porque foi puxada de “fórpeces”.

Ah, Brasil, logo mais tomo um processo, eu sei…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *