Mulheres depois do ataque de nervos

Adivinha quem vem para o Brasil!?
Adivinha quem vem para o Brasil!?

http://tinyurl.com/ktjvsx

http://www.nytimes.com/2009/09/20/opinion/20dowd.html?_r=1

Mulheres, onde vocês estavam com a cabeça quando largaram tudo para serem mães em tempo integral ou para curtirem um amor?
Certos passos que a humanidade dá não têm volta.
E a dona-de-casa não é mais uma profissão. Não é mais opção.
Até aqui chegamos e daqui partiremos…

O Muro de Berlim caiu em 1989 e você ainda acredita em viver em comunidade? Você cuida da casa, ele sai para trabalhar? Sem $ na conta, veja como é a economia mundial, você tem menos poder e, portanto, menos chances de escolher, menos autonomia, menos tudo. Mas o amor preenche todos os espaços (?). Como viver de amor se temos conta de luz, telefone, condomínio e impostos no fim do mês? Amor paga tudo?

O sonho da vida hippie ainda existe em algumas de nós. Que coisa!
E faço deste blog meu confessionário: em 2006 larguei tudo. Tudo. Eu ganhava bem mais que meu marido. Mas fomos viver a utopia da vida em uma cidade menor, com menos gastos, mais tempo, menos preocupações.
Durante uns 30 dias coloquei tudo o que eu queria de “ócio” em dia: vi todos os episódios de todas as minhas séries preferidas. E.R. e outras. Passeei pela cidade sem destino. Acordei às 8h da manhã, corri (afinal não havia dinheiro para academia) até 11h. Economizei na gasolina. Li dezenas de livros.
Depois de um mês, comecei a me trancar no quarto: imagina se a faxineira me pega vendo TV no meio da tarde? Imagina, se ela vê que sou desempregada?
A grana… Não ter dinheiro para fazer as unhas, não ter dinheiro para um reparo da casa, não ter dinheiro para tomar um capuccino de tarde. “Ótima” experiência. Ainda mais quando seu blaser predileto começa a amarelar no armário e você não tem dinheiro para a lavanderia.
Para não ficar completamente no ócio, fui estudar Direito. Nenhuma faculdade me aceitava (os prazos de transferência já haviam passado) e consegui no gogó entrar numa faculdade particular. O diretor havia feito doutorado no Porto, em Portugal, e passou por uma história parecida. Aceitou minha matrícula.
Com isso, consegui um estágio que pagava menos do que pagávamos para a diarista. O simples fato de receber a grana do estágio e pagar a diarista me fazia um bem. Eu me sentia útil de alguma forma.
E haja persistência para trocar um salário por um estágio “de salário de faxineira”. Nada contra os pagamentos do estágio: mas a decisão de “viver a vida no campo” tinha um preço bem mais alto do que “não ter tempo na cidade”.
E as “amigas” dos tempos de infância deitaram e rolaram: circulava um boato de que eu tinha me dado mal na vida e agora estava morando com minha mãe. (eu +marido+3 gatos)
É que voltei para minha cidade natal: Belo Horizonte, uma cidade fofa, cheia de gente fofa, que adora falar da vida dos outros e alimentar boatos sem fonte confiável. FOFÉRRIMOS!
Confesso que isso nunca me incomodou e não seria naquele momento… Mas vocês vejam o conceito de sucesso e fracasso que os outros fazem da (nossa) vida…
De tempos em tempos, pintavam jobs. Trabalhos que em São Paulo demandariam uma equipe especializada e um budget razoável. E eu muitas vezes fazia sozinha e não cobrava. Melhor não receber do que ganhar um troco…
Depois de quase um ano, mudanças. Agora iríamos para uma cidade mais bacana em vários aspectos – eu também já havia morado lá: Curitiba – e eu ainda na paralela. Cansada de não ganhar nada e ainda pagar faculdade, fiz meu dever de casa. Concorri a uma vaga na melhor faculdade da cidade, a UFPR, e passei. Eram três vagas e por um décimo fiquei em terceiro lugar. Bacana? Não, né? Nessa altura do campeonato, mudar a vida toda para começar do zero não faz nenhum sentido.
Aí fui rever a cidade. E pensar em que confusão estava me metendo.

Juntei minha malinha, fizemos as contas (eu, Fred e os 3 gatos), planejamos e voltamos para SP.
É preciso equilíbrio.
O ano “sabático” teve muito valor. Foquei na carreira, tomei as decisões que julgo acertadas, deixei a carreira “fechada” na Globo e fui para o mercado aplicar meus anos de Globo. E estou feliz com a mudança.
Hoje tenho 3 empregos para ganhar pouco menos do que ganhava antes. Mas as possibilidades aumentaram. Não estou mais dentro de uma casca de ovo.
E chega de brincar de casinha.

Porque casa e trabalho são ótimos. Quando há equilíbrio.
Nem tanto ao céu. Nem tanto à terra.
E ninguém dependendo de ninguém. Todo mundo caminhando junto.

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