O Império

será sempre da hipocrisia.

Quando Machado pariu Capitu, feministas já raspavam cabeça – tenho certeza. E a Esquerda Caviar nadava em Nutella. Direitistas trocavam as armas assim como o fazem com iPhones. Instagram bombava de senhorinhas exibindo as canelas.

Rappers pretos pobres se casavam com herdeiras brancas.

A turba, revoltada, transferia os investimentos do Itaú para a XP.

Advogados lobistas em Brasilia desfilavam o ante-braço tatuado com símbolos indígenas.

Modernas em apartamento alugado exibindo live da decoração e da vida que não acontece lá fora clamavam por justiça.

Sapatos prateados.

Muita cartela de cor e preto básico.

Consultoria.

Esse Brasil lindo e fagueiro, de um eterno show off cujas realidades são sempre escusas.

Lugar da fala.

“Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve. A eternidade tem as suas pêndulas; nem por não acabar nunca deixa de querer saber a duração das felicidades e dos suplícios.”

Em priscas eras de followers, quero apenas o vácuo.

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