Contabilidade, boas idéias e aquela vontade de fugir

rosafeliz

Cena 1 – Academia – 7h

Eu chego animada. Eu sempre chego animada para malhar.
Um pouco cedo para a aula de abdominais de 7h30.
Vou para a esteira, para dar uma aquecida de dez minutos.
Na minha frente, uma poderosa, de bermudinha e top, morenaça, correndo.
Eu, like always, de malha ok, e um coque bagunçado para não ficar de cabelo molhado de suor.
Ligo a TV da esteira e vejo a Mariana no BDBR.
No reflexo do espelho, a poderosa da academia.
Eu penso: parece uma ex-colega da escola.
Olho de novo.
Não pode ser. A ex-colega já teve dois filhos, casou com um cara mais novo, mora também em SP.
Olho mais uma vez.
É ela mesmo.
Dois filhos, um corpaço, correndo a 10km/h.
Oooops.
Tá na hora da minha aula.
Eu fui corcunda caminhando para meus abdominais.
Com os seis kg que ganhei de outubro para cá, não ia ser hoje que ia falar com a ex-colega.
Só no ano que vem. E se tudo der certo.

CENA 2 – Escritório – 10h

Ainda não estou inscrita no SAP da empresa.
Nos últimos meses fiz quatro viagens: Peru, Argentina, Porto Alegre, Chile. Fora alguns almoços e gastos extras com eventos e promoções da empresa.
Recebo um e-mail do financeiro.
Não tenho como fazer a prestação de contas das minhas viagens e muito menos receber reembolsos.
Só quando meu número de SAP for liberado.
Ou se eu fizer em nome de outrem. É sério. Se alguém prestar contas por mim.
Contei até mil. Respirei fundo.
Ca-la-ro que ninguém vai me pagar com juros o dinheiro que gastei em nome da empresa.
Ca-la-ro que vou ver esse dinheiro no dia de São Judas, aquele das causas impossíveis.

Cena 3 – Concessionária – 11h30

Tive uma reunião rápida perto do trabalho e aproveitei para deixar meu carro na revisão de 18 meses.
Eu havia marcado horário.
Óbvio que não encontraram meu nome.
O carro ficou lá.
Se tudo der certo, amanhã de noite, na hora do meu rodízio, o carro vai ser liberado.

Cena 4 – Escritório – 12h29

Blogando no trabalho.
Esse é pelos juros do que me devem.
Contei até cinco.
Meu dia feliz começa agora.

Sapatadas, a mídia e outras bagunças

Antes e Depois

Segundo o WSJ, citado hoje pelo Nelson de Sá, ao contrário da depressão, quando a turma que não tinha o que fazer ia ao cinema (que o digam também os cubanos que eu vi, em 2001, invadirem e até darem sapatadas no lanterninha durante o festival de Havana*), na era de blog e twitter, tá todo mundo na internet. O meu twitter já vale 50 dólares.
Não é nada, não é nada, paga meu almoço durante uma semana.
E a internet?
Como jornalista, passei por alguns dragões e elefantes da mídia: revista Veja, TV Globo, Vogue… Acho que só faltou a Folha para completar minha ficha corrida na polícia.
E, apesar da reclamação, de problemas sérios de RH, remuneração e bonificação, os meios têm uma organização de reloginho. Um fechamento é uma coisa de louco.
Juro que já saí da Veja às seis da manhã de sábado num longínquo 1997 e, ao chegar em casa, na altura do Masp, a revista que eu tinha acabado de co-escrever já estava em minha casa!
Impressionante: se eu saí da redação, como o material desceu para a gráfica (naquela época, a redação da Veja era na Marginal Tietê), foi impresso, entregue ao distribuidor que, antes de mim, já tinha passado pela minha casa… Tudo em 40 minutos?!
E quem já entrou num switcher e viu a coordenação de um telejornal tem um infarto!
As matérias chegando, a transmissão ao vivo que vê “cair o sinal” na hora da entrada do repórter. Isso quando o cara não está na China, ao vivo, nas Olimpíadas… São dezenas de jornalistas, engenheiros, modelos e atrizes, contínuos e muito mais gente que fazem o telejornal ir lindinho e quase sempre completinho para o ar. Gente correndo, gritando, matéria sendo revisada e o telespecatador curtindo tudo sem saber do estress que há por trás.
E uma preocupação danada com a correção, com a lei, com o certo e o errado. É uma coisa: os editores-chefes com quem trabalhei tinham defeitos, mas havia um preocupação explícita com o correto, com dar os vários ângulos da história. Sim, mesmo na Veja! Uma coisa é fazer uma matéria maliciosa, tendenciosa, outra coisa é dar um ângulo só da notícia.
Mas vamos fugir dessa polêmica, porque não é o objetivo desse post hoje.
Agora, do outro lado, na internet, e não mais na área de conteúdo, tenho visto que improviso e criação são lei.
Mas quando se soma conteúdo jornalístico, isso pode ser ferro na boneca!
Na Itália, o Google está sendo processado por difamação e violação da intimidade. Tudo por conta de um vídeo adicionado há dois anos que mostra adolescentes italianos tripudiando de um menino com síndrome de Down.
Fotos, imagens, textos – hoje todo mundo é repórter.
E nunca fui a favor do curso de jornalismo.
Jornalista tem que estudar ciência política, sociologia, outra coisa. E estudar ética, direito, cadeiras importantes na formação desse profissional.
Mas se todo mundo é repórter sem o mínimo de formação, vale tudo, certo?
Vale divulgar suicídio na capa do site, vale imagem de mulher pelada, de garotada batendo no índio, vale tudo mesmo.
Não sei – ando apaixonada pelo Twitter, pelo blog, por outras idéias.
Afinal, assino o que digo, e não é um conteúdo que tem “o compromisso com a verdade”.
É muito mais network, graça, passar tempo, conectar-se.
Mas ando solidária e preocupada com os profissionais de conteúdo na internet que, em geral, têm sido tratados ainda na paralela…Afinal, “eles fazem o que qualquer um pode fazer”…
Talvez por isso, inconscientemente, eu tenha saído dessa.
Ou por já ter dado minha parte do bolo.

* Voltando a Cuba, a cena – real – se passou no cine Yara. Quebraram o vidro da entrada. E adivinhem que filme estava passando? Um filme americano – proibido oficialmente até hoje na ilha.
Quem disse que a onda do sapato começou no Iraque?

Sapatada no lanterninha já era moda em Havana…

Meu dia de ontem...

Blog no ar

Agora sim, é para valer! Blog novo no ar.
Para mim, 2009 começa…
Não deixem de ver o foto-post com Alice e sua vida de cão…
Ai que inveja.
Eu queria ser meu cachorro.
Comida maravilhosa 3 vezes por dia.
Passeios, duas vezes – pelo menos.
Banho – uma vez por semana. French dog.
No mais, mais um dia no escritório.
Com a cabeça voando, voando…
E o post tem que ser rápido.

Momento sem nada

O mundo está mudando.

[audio:03-ideologia.mp3]

 E as corporações insistem num modelo antigo.
Onde estou, a disputa por mesas, micros e cadeiras é uma loucura. Se um foi demitido, outro corre e coloca a bandeira do conquistador na mesa dele. Faltam mesas, faltam lugares…
Mas quantas vezes você saiu, foi para um almoço e fez o melhor benchmark do mês? Ou numa cervejinha, sábado de sol, batendo papo com amigos e poof! Surge a idéia que vc estava buscando?
No meu trabalho, acho que eu renderia muito mais se viesse duas vezes por semana para o escritório.
Uma para ver a pauta, arrumar questões que só podem ser feitas do escritório e outra para calls, para falar com todo mundo.
Hoje, por exemplo, são 11h16. Até agora, nada.
Vendo emails, batendo um papo, pensando em pendências do job 2.
Minha chefe “tem reunião na escola da filha e só vem depois do almoço”.
Gente, as corporações precisam se ligar.
Em casa, a energia quem paga sou eu. O telefone ídem. O celular corporativo vai para todos os lados. Meu computador, no meu escritório. Uma volta na Vila. Um almoço feito pela Antônia.
Eu iria render horrores. Iria ser um espetáculo.
Aqui, pareço passarinho na gaiola.

El nido vacio


Engraçadas algumas coisas.
Dia cheio.
Saí com a cachorra.
Tentei fazer exame de sangue. Fui em dois laboratórios. Lotados…
Aí fui fazer a unha. Salão lotado. Manicure atrasada. Marquei para mais tarde.
Fui para o Ibirapuera correr.
Eu, Fred, Alice.
Era tipo uma da tarde.
Hora péssima. Terra molhada, lama.
A corrida foi boa.
Volta para casa.
Lavar tênis. Dar banho na cachorra.
Corrida para o shopping. Meia hora antes do salão.
Sorvete de jabuticaba. De pitanga.
Salão.
Cortei cabelo. Força para o ano que começa.
Finalmente fiz a unha.
Almoço.
Hambúrquer vegetariano.
Do lado de fora, Jardins. E a judeuzada volta da sinagoga vestida em trajes do século XIX.
Pensei em várias coisas.
Depois, cinema.
Antes da seção, pensei.
Acho que eu não queria ser nada do que eu sou.
Mas te colocam na escola e você se adapta.
Te exigem um diploma e você sonha com uma determinada profissão.
E vc vai à luta.
E nem pensou direito no que queria fazer.
Eu me formei há 12 anos.
Há doze anos pareço cega, tateio no escuro.
Fui para lá, vim para cá, parei em São Paulo.
Mas teve pit-stop em Salvador, Rio, Fortaleza, San Antonio de Los Baños.
Sem bengala, com dificuldade para saber onde estou, mas indo, caminhando.
E o filme.
Ninho vazio.
É mais ou menos isso.
Uma vida inventada.
Outra vida.
Outra história.
Será que dá para mudar o caminho?
Será que a gente quer?
Como teria sido a outra vida?
Uma vida de mais escolhas, de menos corrente.
Como teria? Teria?
Mil coisas na cabeça.
Mais um sábado.

O ninho vazio.

El fuego y el combustible

Ano novo, blog novo

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Então vamos começar com musiquinha – coisa que o blog antigo não tinha.

Escolhi uma do John Mayer. Tudo bem, o cara se acha, namora atriz de Hollywood, mas toca muito. Ele merece.
E nada melhor do que uma sexta-feira, pós expediente para começar o blog novo.
Hoje eu já saí de casa com vontade de voltar…
Preguiça infernal.
No almoço, encontro com amiga – o que vale o dia.
E papos sobre a crise inacreditável, abismal. E sobre umas filha-da-putices do antigo trabalho. O de sempre: chefe que come funcionária, demissão sem explicação, falência a caminho…
Entre o almoço e o café, muito papo para botar em dia.
E agora? Como transfiro meu blog antigo para o novo? Como, pelo menos, redireciono? Help|
Ah! Para quem gostou, o blog foi feito pela turma da Gruda! E pelo Bona.
Agora sim, vou brincar com tudo: tags, fotos, música e o que rolar. Não percam a coluna Dia de Cão. Com Alice contando das suas.
Ooops! Fiz upload da música e não sei onde ela está… Isso é só para quem tem mais de 30…

[audio:08-daughters.mp3]

Vamos tocando porque é work in progress…Total!