Dando adeus aos mais de 30

O blog perdeu a pegada, a graça besta de dizer o que quer.
Agora ele vem e vai quando dá.
Bom, ruim, que nada.
Neste canto público, eu não canto quando e como quero.
É quando dá e mal dado.

As coisas se aproximam perigosamente dos 40.
Eu, que fui feliz aos 30, agora tenho certeza de que as certezas se vão com 2×20.
Agora, sim, é que vou acelerar a lambreta.
Filho, botox, criolipólise – vale tudo para não deixar o tempo passar por cima.
Faca nenhuma me furará.
Sexo, night, bebida – acho que a coisa precisará de tarja preta a partir de agora.
Foram-se as vergonhas.
Os sonhos.
As loucas idéias.
Ficou a carne.
E uma certeza cinza de que nada restará.
Pois agora, sim, é que a coisa vai esculhambar geral.
Tudo preto no branco.
Mais preto – é fato.
Tudo escancarado.
Tudo cada vez mais errado.
Barranco abaixo.
Nos derradeiros minutos, nem padre, nem video da Jane Fonda me salvarão.
Remédio?
Só negão manipulado.
Porque de orgânico e vegetariano, só mesmo o professor de yoga que tomou na testa e casou com a professora de pilates.
Desbundei para a geral.

Agora malho de segunda a sexta

Quanto tempo você dormiu?

enraizamento

Longo sono – disseram.
Pés dormentes. Pulso, devagar.
Tentar lembrar – e falhar.
Poeira.

O cheiro de casa.
A vida em volta. Há vida.
O corpo, estranho.
Os músculos dos olhos fazendo força.
Os sons.

Ontem foi Paris?
Recife.
Rio.
Nova York.
Salvador.
Vôos cegos.

Hoje, chuva.
Limpando asfaltos.
Perdendo as horas.
O corpo, pesado, e insistentemente São Paulo.

Devagar.
Desperta.
Pulsando.
Como se tudo ao mesmo tempo (perdido).
E hoje, o ponto.

Como é definitiva uma certeza.
Justo aquela que chega sem avisar.