Amanhã

Sarjeta

Penso no Obelix e me pergunto se também cai em algum caldeirão.

Não, a roupa é de ginástica, mas não serviu para nada.
Fui para o escritório assim, fantasiada de atleta.
Coisas de quem corre sem sair da esteira.
Esteira?

De tarde, desmarquei a hora mais esperada.
Corri para receber a moça grávida que não planejou nada e, agora, quer casa.
Casa?

Há dois dias estudo o Rio.
Rio, rio de tudo tão impossível.
Casa? Corra, corra!

Amanhã farei uma bela pose.
Falarei com toda propriedade.
Mostrarei dotes.
Farei olhos de nuvem.

Rio?
Antes vagabunda no Bar da Lagoa, hoje soberba pensando em casa.
Casa?

Rio, o que aconteceu com suas noites ásperas e tão baratas?
Com seus Jardins nada Europeus?
Com seus preços camaradas, com a praia misturada?

Amanhã irei para a forca.
Rio.

(rio)

Sal, sol, chuva

Sal com chuva, esqueci minha sombrinha.
Ar condicionado desligado, o gato derrubou água no computador, no celular, no iPad.
Acordar muito cedo pode resultar em horas demais.
Prometo todos os dias ganhar massagem, rir do que vier e não esquecer o telefone no carro.
Chuva com calor?
Casamento do Alaor? Ou Babilônia de Nabucodonosor?
Quando menos se procura, mais se acha e no final se perde tudo de novo?

Mistérios da caixinha de jóias – você não precisa responder nada.
Mas que essa sopa de letrinha diz muito… Diz.

Um mercado com pedido de cerveja gelada